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Judoca egípcio não cumprimentar israelense reflete “educação mal trabalhada para a paz”, diz especialista

Internacional |

judocas-egito-israelA recusa do lutador egípcio Islam El Shehaby de não apertar a mão do adversário israelense Or Sasson, nesta sexta-feira (12), foi muito mais do que uma grave violação à ética do judo, é “o reflexo de uma educação mal trabalhada para a paz”, afirma o diretor executivo do IBI (Instituto Brasil Israel), André Lajst.

— É uma pena que tenhamos que ver ações como essa nas Olímpiadas que, em teoria, servem para unir os povos, por meio do desporto. Isso demonstra que a paz não é apenas um acordo assinado entre dois governos, ela tem que ser trabalhada nas populações. Não adianta em nada só a parte israelense trabalhar pela paz, enquanto o outro lado não fizer o mesmo.

O atleta egípcio foi vaiado pela atitude, já que é comum que judocas façam reverência ou se cumprimentam com as mãos no início e no final de cada combate. Ainda assim, até mesmo o fato de eles terem lutado já foi considerado “um grande avanço”, disse, Nicolas Messner, porta-voz da Federação Internacional de Judô, à agência de notícias AFP.

Lajst, que é brasileiro-israelense, lembra que o conflito entre os países é bastante antigo.

— Sempre existiu uma recusa do mundo árabe de reconhecer o direito de Israel de existir, isso vem desde 1948, quando Israel foi fundado. Fora isso, Israel lutou contra o Egito quatro guerras, nas quais o Egito tentou destruir Israel, e só foi feita a paz em 1979.

Desde então, na teoria, os dois países têm relações diplomáticas. A única diferença é que a população árabe ainda é educada e ainda existe um pensamento, mesmo que não de uma maneira generalizada, de que Israel não tem o direito de existir.

Especialista que é mestre no conflito árabe-israelense, Lajst esclarece que o incidente de hoje foi apenas um de muitos exemplos que podem ser dados sobre a relação entre Egito e Israel.

— Isso é mais uma demonstração de que existe uma recusa de um dos lados de aceitar o outro, uma demonstração do que se acredita no país. Se você falar hebraico nas ruas do Egito, você provavelmente vai ter sua segurança física comprometida. Se você falar árabe nas ruas de Israel, não. Um exemplo disso são as próprias embaixadas.

Eu morei na rua da embaixada do Egito em Israel durante 10 anos, não tem barricada nem carro antibomba, apenas um policial fazendo a segurança local. Já a embaixada de Israel no Cairo é uma rua sem saída, ninguém entra e ninguém sai, de tanta segurança que precisa ter.

Com informações de: r7.com

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