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Quem é ele por trás do personagem?

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markSalling_presoEntenda por que idolatrar uma celebridade pode ser prejudicial para a sua vida

Ao ligar a TV é fácil ver o artista que você admira cercado de pessoas importantes, usando as melhores roupas e levando uma vida bem-sucedida. Você navega na internet e vê fotos dele em lugares lindos e a pilotar carros luxuosos, ostentando poder e liberdade e propagando uma mensagem que arrasta uma legião de fãs. É tanto glamour exibido pelo tal popstar que às vezes dá até vontade de ser como ele, não é mesmo?

No entanto, você já parou para pensar como esse artista é quando está longe dos holofotes? Qual é o comportamento dele em casa, com a família, no trabalho, na rua?

Há quem diga que um fã verdadeiro sabe tudo sobre seu ídolo, mas não é bem assim. Na intimidade, muitas celebridades agem de modo bem diferente da imagem que transmitem ao seu público. Se um cantor no palco ou em um programa de TV precisa representar para conquistar admiradores, o que dizer dos atores que cativam milhares de fãs?

Veja o que aconteceu com o ator Mark Salling, que interpretou o personagem Puck, na série norte-americana Glee. Nos últimos dias de 2015, ele foi preso por posse de pornografia infantil em sua residência em Los Angeles, nos Estados Unidos.

De acordo com o site americano TMZ, o primeiro a dar a notícia, o astro canadense mantinha em seu computador mais de mil fotos de crianças em cenas de sexo. Conforme o site, uma ex-namorada, que já havia acusado-o de abuso sexual em 2013, teria feito a denúncia.

Provavelmente, os fãs do ator foram pegos de surpresa quando souberam dessa notícia, como Carla Maldonado Fonseca, de 18 anos. “Sempre fui fã do Salling e pensava que ele era o ‘bom-moço’ que parecia ser na TV. Fiquei decepcionada. Ninguém pensa que um ator hollywoodiano pode ter atitudes erradas como essa, que no caso é um crime. Toda minha admiração por ele foi por água abaixo”, diz.

mileyCyrusAtentos à influência

A psicanalista Rosa Prado Moreira explica que os meios de comunicação, principalmente a TV, ajudam os artistas a propagar uma imagem atrativa, fazendo com que os jovens os tenham como referência. “Diante desse cenário, milhares de fãs enxergam apenas as qualidades de seus ídolos. Mas, quando menos esperam, veem a celebridade em situações polêmicas. Quando o fã admira demais um artista nem percebe que esse astro também tem problemas na vida real. Então, se decepciona quando se certifica de que ele é um ser humano como outro qualquer e ainda que comete atitudes ilícitas”, informa.

Artistas envolvidos em polêmicas estão por todo canto. A atriz e cantora Miley Cyrus, que estrelou o seriado Hannah Montana, por exemplo, expõe seu corpo ao máximo em seus shows e, inclusive, já foi protagonista de diversos comportamentos obscenos. Ao mesmo tempo que deseja se desvincular da imagem de “mocinha” do início da carreira, Miley não quer que seus fãs estejam atentos à sua má conduta, como o fato de consumir drogas. Em abril do ano passado, a cantora tentou se disfarçar com uma boina e óculos escuros para não ser fotografada fumando um cigarro suspeito na varanda de um hotel em Miami. Mas a estratégia não deu certo.

Por causa desse mau comportamento, Miley foi considerada por pais britânicos como a pior influência para os jovens. Em uma pesquisa realizada no Reino Unido no ano passado, 78% deles revelaram que em circunstância alguma gostariam que seus filhos a tivessem como um modelo.

A psicopedagoga Jane Barreto afirma que maus exemplos sempre existirão em nossa sociedade. Por isso, cada jovem deve estar atento a quem seguir e ter como influência. “Estamos na era da normalidade, quando tendemos a nos conformar com tudo que vemos. Mas devemos entender que o que mostram que é normal nem sempre é natural e bom”, alerta.

Aonde isso pode parar

Você pode até pensar que não tem como referência um artista que se envolveu em escândalos e polêmicas, mas pode ser que você se identifique com alguma celebridade por causa da boa imagem que ela mantém na mídia, um ator ou uma atriz que atua muito bem, um cantor ou cantora de boa aparência ou ainda um jogador que faz muitos gols.

A psicanalista alerta que é preciso avaliar se os valores que esse famoso transmite por meio do seu trabalho são benéficos para a sua vida. “Será que você não está aplicando na sua rotina a letra de uma música inadequada só porque considera a cantora muito bonita? Ou está sendo rebelde apenas porque o seu ator preferido faz o mesmo como personagem de uma novela?”, indaga.

Se a admiração se tornar excessiva, sem perceber, você começará a reproduzir comportamentos sem nem ao menos refletir sobre o que eles podem acarretar para você no futuro.

Para a psicoterapeuta Eliana Barbosa, a baixa autoestima também leva muitos jovens a se espelharem em artistas e se prejudicarem, como o caso de meninas inconformadas com a própria imagem. “É grande o número de jovens com graves distúrbios alimentares ou que buscam cirurgia plástica sem necessidade só para se parecerem com as modelos ou artistas que idolatram”, aponta.

Além disso, deixar-se se influenciar pode deixar marcas bastante negativas. “O jovem torna-se solitário, antissocial, irritável e agressivo. A sua vida passa a ser em torno da tal celebridade, fazendo com que se desligue da realidade para viver com interesse apenas na vida do ídolo”, complementa a psicoterapeuta.

Real x imaginário

A psicopedagoga Jane explica que o jovem costuma se envolver com o que lhe é apresentado pela mídia quando está buscando sua identidade. Sendo assim, pode começar a imitar o modo de vestir, pensar e até de agir do artista que admira. “Na cabeça de um jovem, a distância entre fantasia e realidade é muito pequena. Ele se identifica com seu ídolo e, por causa dessa fantasia, acaba copiando-o”, avisa.

idolatrar_famososFantasiar um mundo diferente da realidade foi o que fez Alcione Correa de Oliveira, de 19 anos, (foto ao lado) tornar-se uma fanática pelo cantor Justin Bieber, quando ele tinha fama de bom menino. “Fui uma das primeiras a entrar nos fãs-clubes dele aqui no Brasil. Na época, em 2007, ele era apenas um cantor teen, não o bad boy agressivo e polêmico que é hoje.”

A forma carinhosa com que ele tratava as fãs cativou Alcione a ponto de ela viver em função do cantor. “Eu tinha mais informação da vida dele do que da minha. Passei a ter tudo sobre ele, perdia horas
no computador”.

A admiração virou um problema. Quando o cantor veio ao Brasil, Alcione tentou fugir de casa para assistir ao show. Certa vez, ao saber que ele havia ido a uma casa de boliche, fez de tudo para conseguir ir ao local. Apesar da tentativa frustrada, a jovem se prejudicou. “Eu passava por cima de todos por causa do sentimento que nutria por ele. Ele era tudo para mim. Muitas vezes gastei todo o dinheiro da minha alimentação para comprar um pôster dele”, relata.

A obsessão pelo cantor só terminou quando a mãe dela impôs limites. “Ela jogou meus pôsteres fora e fez meus irmãos formatarem meu computador. Perdi tudo o que tinha: aproximadamente 15 mil fotos e todas as músicas”, se recorda.
É verdade que o ambiente familiar é determinante para neutralizar as influências negativas das celebridades. A psicoterapeuta Eliana Barbosa diz que isso pode ocorrer mais facilmente quando os jovens não recebem orientação familiar sobre modelos de conduta e de caráter. “Os jovens ficam inclinados a buscar referências entre as celebridades quando os vínculos familiares são frágeis ou conflituosos. Isso acontece até inconscientemente, numa tentativa de agredir a própria família”, considera.

A importância de se conhecer

Atualmente, vivemos em uma sociedade que idolatra Hollywood, onde o bom é ruim e o ruim é bom: programas e séries que não valorizam a família, artistas com vários relacionamentos, cantores que tem atitudes ilícitas.

Como falamos aqui, a realidade deles é bem diferente quando ninguém os vê. Seres humanos erram, mas é preciso entender que nenhuma fraqueza ou erro de uma pessoa pode servir de referência. Foque na sua personalidade e descubra quem você é e do que gosta, independentemente do que os popstars fazem. “Quando você deixa de idolatrar um artista, começa a entender se vale a pena imitá-lo, rejeita o que é negativo e procura modelos melhores para você”, diz a psicanalista Rosa.

Não faça das celebridades nacionais e de Hollywood um guia de sua vida. Se você usar a sua inteligência agregada à fé, vai valorizar a si mesmo e ter a sua própria cultura, mesmo que o mundo a considere ultrapassada.

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