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Sobrevivente do tráfico: “Fui violada 43.200 vezes”

Internacional |

karlaKarla tinha 12 anos quando se tornou alvo de um traficante. Acabou numa rede de prostituição e foi violada diariamente ao longo de quatro anos

Karla Jacinto fez parte do mercado altamente lucrativo do tráfico de seres humanos no México. A sua história destaca a realidade brutal do tráfico de seres humanos no México e nos Estados Unidos, um submundo que tem destruído a vida de dezenas de milhares de meninas mexicanas.

O tráfico de seres humanos tornou-se um comércio lucrativo e frequente, que não conhece fronteiras e une as pessoas do centro do México com cidades como Atlanta e Nova Iorque.

Karla cresceu numa família disfuncional e, com 12 anos, começou a ser abordada por um rapaz, de 22 anos, pelo qual se apaixonou. Conta que não foi difícil deixar a casa de família e que, passado pouco tempo, começou a viver com o namorado, em Tanancingo. O maior centro de tráfico humano e o local para onde as raparigas costumam ser levadas antes de serem forçadas a prostituir-se.

14FFC478CC70B4C99B097D5AB3179B1D“Vivi com ele três meses, durante os quais ele me tratou muito bem. Trazia-me roupas, dava-me atenção, trazia-me sapatos, flores, chocolates, era tudo bonito”, relembra Karla, numa entrevista à CNN.

Passados os primeiros três meses, foi levada pelo namorado traficante para Guadalajara, uma das maiores cidades do país, e forçada a trabalhar na prostituição. “Começava [a trabalhar] às 10 horas e terminava à meia-noite”, conta. “Alguns homens riam-se de mim por estar a chorar”.

Segundo o seu cálculo, terá sido violada cerca de 43.200 vezes. Durante os quatro anos em que foi vítima de tráfico, dormia, em média, com 30 homens por dia, sete dias por semana.

Tentou ir-se embora, mas não conseguiu.“Disse-lhe que me queria ir embora e ele acusou-me de me ter apaixonado por um cliente. Disse-me que eu gostava de ser uma prostituta”.

Denunciar o seu caso às autoridades também se revelou não ser uma opção. Segundo o seu relato, quando Karla tinha 13 anos, vários polícias foram ao hotel onde estava a trabalhar uma noite, não para salvar as meninas, mas para as filmar com os clientes. Depois, diziam que tinham de fazer o que eles mandavam. Caso contrário, enviariam os vídeos aos seus familiares.

Capture-3_2559906a“Achei-os nojentos. Sabiam que éramos menores. Tínhamos caras tristes. Havia raparigas que tinham apenas dez anos. Havia raparigas que estavam a chorar. Eles disseram aos polícias que nós éramos menores e ninguém prestou atenção”, revela Karla.

A jovem acabou por ser resgatada em 2008, com 16 anos, durante uma operação anti tráfico, realizada na Cidade do México, reporta a CNN.

Agora, aos 23 anos, luta contra este tipo de tráfico que, segundo a International Organization for Migration, vitaminiza 20 mil pessoas no México todos os anos. Tornou-se uma defensora contra o tráfico de seres humanos e compartilha a sua história de sobrevivência em eventos públicos e conferências.

A mudança

O projeto Raabe apoia mulheres que sofrem ou sofreram abuso doméstico, físico, sexual ou emocional. Todos os casos são tratados com confidencialidade e respeito. Os encontros são realizados todos os meses em Lisboa, Porto, Portimão, Coimbra e Funchal.

O Raabe iniciou o seu trabalho há três anos e conta com o auxílio de voluntárias, que prestam apoio especializado, como orientação jurídica, psicológica, assistência social e emocional.

CONTATO: Tel: +(351) 21 836 80 08
Email: projetoraabe@iurd.pt

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3 comentários

Priscila Santos Responder 26 Novembro, 2015 às 13:27

Sei bem o que é dormir com homens asquerosos,nojentos e se sentir um nada.Essa realidade é muito sofrida,mas graças a Deus eu tive a chance de dar um rumo diferente na minha vida com a ajuda da iurd.

Beatriz oliveira Responder 26 Novembro, 2015 às 14:57

Achei linda essa história

James Limbau Responder 27 Novembro, 2015 às 15:55

É uma história triste e emocionante ao mesmo tempo,pelo o que ela passou e teve de superar depois de anos escravizada e violentada por vários Homens,inclusive até a própria polícia participava dos tais actos.
Mas enfim ela conseguiu superar esse problema,graças a Deus.