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Venezuela, um país à beira do abismo

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Falta comida, água, luz e medicamentos. No mercado paralelo os bens de primeira necessidade são pagos a peso de ouro

A inflação galopante, os cortes de energia, os dias de paragem obrigatória no trabalho da função pública, as filas intermináveis para comprar bens alimentares a preços regulados, a instabilidade política e social marcam a realidade quotidiana deste país.

A oposição está decidida a mudar de política e tenta pela segunda vez na história do país fazer um referendo revogatório para destituir o Presidente, Nicolás Maduro. Com cerca de dois milhões de assinaturas, o presidente da Venezuela já anunciou que vai autorizar a realização de um referendo.

Relatos na 1ª pessoa

Em conversa com o Observador algumas pessoas a morar no país relatam as muitas dificuldades por que passam diariamente.

“Estou aqui há 40 anos e nunca vivemos nada parecido com isto. São cada vez mais as pessoas que fazem filas para comprar comida e são cada vez mais aquelas que, apesar de estarem nas filas, não conseguem comprar nada. A comida chega a cada vez menos gente, a escassez de alimentos e de medicamentos está a aumentar de dia para dia. A lista do que falta é extensa, mas fácil de resumir porque falta quase tudo”, afirma um português a viver em Caracas desde os 17 anos.

“A água da barragem de El Guri baixou para níveis nunca vistos, porque estamos em seca e isso tem provocado problemas de eletricidade graves a nível nacional. Isso obrigou o governo a decretar que os funcionários públicos não trabalham à sexta-feira. E agora também já não trabalham à quarta nem à quinta, com o objetivo de tentar poupar energia. Antes, os cortes de energia só ocorriam no interior, mas nos últimos dias também têm acontecido em Caracas e já há zonas da cidade com problemas de eletricidade”, refere o mesmo.

“No edifício onde moro só recebemos água entre as 8h e as 8h45, só temos 45 minutos de água de manhã. Temos que tomar banho e depois encher recipientes para podermos ter água para a casa de banho, para cozinhar, para limpar… porque depois a água é cortada outra vez até às 20 horas. Passamos todo o dia sem água. Só voltamos a ter água entre as 20h e as 20h45 e voltam a cortar. A água está a ser racionada porque estamos a atravessar uma seca e quase não há água nos reservatórios, o que também afeta a produção hidroelétrica”, conta um publicitário venezuelano.

“A minha mãe conta-me que agora não se consegue comprar mesmo nada. Agora as farmácias vendem refrescos e mais nada, não têm medicamentos. Tenho um irmão nos Estados Unidos e é ele quem lhe manda medicamentos, comida. É assim que muitos venezuelanos estão a viver, com as coisas que lhes mandam de fora”, explica um outro venezuelano que decidiu imigrar.

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