Crianças viciadas na tecnologia

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O que pensar quando uma mãe entra num consultório médico e diz que o filho de dois anos está viciado no telemóvel?

No seu blogue “Ser mãe é padecer na Internet”, Rita Lisauskas, jornalista, mãe e madrasta, fala com o Dr. Cristiano Nabuco, Psicólogo e Coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, sobre o facto de cada vez mais crianças estarem a ficar viciadas em telemóveis, tablets e consolas de jogos, tornado-se incapazes de se relacionarem com os outros sem ser online, de se concentrarem e e até de manterem um raciocínio lógico.

O psicólogo relatou diversos casos, entre eles o de uma mãe que se queixava de o filho de apenas dois anos não largar o telemóvel para nada; e o de um jovem que chegava a passar mais de 50 horas a jogar no computador, sem que os pais o impedissem.

“O mal que a tecnologia causa também é uma porta que se abre pelo lado de dentro. Podemos e devemos dar acesso à tecnologia em certos momentos. Mas esse acesso deve ser controlado e, mais do que isso, não nos podemos esquecer que os mais novos imitam o comportamento dos mais velhos. Não adianta de nada restringir o acesso se eu for o primeiro a levar o telefone para a mesa ou para a cama. Eu, como pai, mãe ou cuidador também tenho que estar apto para abrir mão do uso para servir de exemplo”, explicou o Dr. Cristiano Nabuco.

Questionado sobre a partir de que idade uma criança pode receber um telemóvel, o médico responde: “Jamais deveríamos permitir o contacto de uma criança com qualquer tipo de tecnologia antes dos 2 ou 3 anos de idade, porque existem operações mentais que precisam de ser naturalmente feitas e o grau de estimulação de um tablet desrespeita essa ‘ecologia’, essa natureza de desencadeamento da lógica. Já se sabe, por exemplo, que quanto mais você utilizar a tecnologia, piores serão as suas funções cognitivas, como a memória e o desenvolvimento da atenção. Não é que sejamos contrários à tecnologia, não é isso, mas o alerta é que se tenha o mínimo de cuidado para que essa exposição seja zelada e observada”.

Sobre as consequências que podem advir de uma exposição cada vez mais intensa e precoce à tecnologia, o psicólogo refere que “o manuseio contínuo das redes sociais, das buscas, da música e da fotografia, da ‘caça’ ao Pokemon, tudo isso cria uma poluição que compromete profundamente a lógica e a capacidade de raciocínio”.

“Você pode usar a tecnologia, mas esta tem de estar ao seu serviço e não o contrário, pois ela não o pode deixar dependente e aprisionado”, alerta o mesmo.

O exemplo dos pais

“Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe quando vier a envelhecer. Compra a verdade e não a vendas; compra a sabedoria, a instrução e o entendimento”

(Provérbios 23.22-23)

Cabe aos progenitores darem o exemplo aos seus filhos, através das suas palavras, atitudes, acções e comportamentos, colocando-os no caminho certo para uma vida feliz, abençoada e bem-sucedida.

Dê ao seu filho a oportunidade de fazer parte da EBI, dos TF Teen e da Força Jovem, grupos do Centro de Ajuda dedicados exclusivamente às crianças e aos jovens!

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