Depressão pode ser “sério problema de saúde pública”

VariousPillsPortugueses compram 23 mil caixas de antidepressivos por dia. Portugal está no top 10 dos países com mais cidadãos a tomarem regularmente estes medicamentos

Mais de 15% dos portugueses tomaram antidepressivos no ano passado, segundo dados de um estudo europeu. A investigação reúne os dados recolhidos em 28 países, sendo que Portugal ocupa a oitava posição na toma regular de antidepressivos, com 70% dos inquiridos a afirmarem que ingerem regularmente este tipo de medicamentos.

Depressões e ansiedade são os problemas que mais afetam a saúde mental dos portugueses. O que se tem traduzido num aumento do consumo de antidepressivos e estabilizadores de humor. Só no ano passado, foram vendidas nas farmácias 8,5 milhões de embalagens destes medicamentos. O que dá uma média de 23 mil caixas por dia, segundo os dados enviados ao jornal Diário de Notícias pela consultora IMS Health.

Pedro Varandas, membro da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, em entrevista no Diário da Manhã da TVI, fez referência à melancolia característica do povo português, e opinou que é preciso aprofundar as conclusões deste estudo. No entanto, a fazer fé neste trabalho, “estas taxas são demasiado elevadas. Estas taxas são o dobro daquilo que se verifica em alguns países com semelhança cultural connosco, como são Espanha e Itália”.

Não descartando a hipótese dos métodos utilizados para diagnosticar a doença não se adaptarem ao povo português, Pedro Varandas deixou uma reflexão importante: “A população portuguesa tem uma taxa elevadíssima desta forma de sofrimento psicológico. Se a nossa taxa de prevalência de sofrimento afetivo, depressivo e ansioso for esta, temos um sério problema de saúde pública em Portugal”.

Facto é que “a toma regular de antidepressivos ao nível que o estudo aponta mostra que a situação não é nova”, o que “mostra que a população portuguesa pode estar a sofrer de depressão e ansiedade”.

De acordo com o primeiro Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental divulgado em 2013 e integrado no World Mental Health Survey Initiative, da OMS, as perturbações psiquiátricas afetam mais de um quinto da população portuguesa. Com os valores mais altos de prevalência anual destacam-se as perturbações da ansiedade (16,5%) e as perturbações depressivas (7,9%).

1/3 não é tratado

Para o coordenador português da Aliança Europeia Contra a Depressão, o psiquiatra Ricardo Gusmão, os Estados Unidos é o único país que fica à frente de Portugal em taxa de depressão e perturbações mentais no geral.
Mas, apesar de o consumo de antidepressivos ser mais elevado em Portugal do que noutros países, continuam a existir muitos doentes graves sem tratamento. Estima-se que um terço das pessoas com perturbações mentais graves não esteja tratada. “A mais grave consequência do não tratamento da depressão é o suicídio e a maioria dos suicídios ocorre no contexto de depressão”, recordou o médico, em entrevista à agência de notícias Lusa.

Uma das razões para a ausência de tratamento pode ser o estigma relacionado com a doença mental, que parece ser maior em Portugal do que noutros países, e existe não só entre os doentes, como na classe médica. A dificuldade de acesso a cuidados de saúde adequados pode ser outra das causas.

Dia 03 de novembro, será realizada a TERÇA-FEIRA CONTRA A DEPRESSÃO!

Às 10, 15 e 20 horas

Templo Maior
Rua Dr. José Espírito Santo, 36 – Chelas, Lisboa

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