E se fosse consigo?

image4Dois milhões de portugueses são pobres

Uma em cada cinco pessoas é pobre em Portugal, afirma o Instituto Nacional de Estatística. E segundo o economista e investigador Carlos Farinha Rodrigues, especialista em desigualdades, exclusão social e políticas públicas, durante o período de ajustamento financeiro, a taxa de risco de pobreza passou de 45,4% para 47,8% em Portugal.

“A intensidade da pobreza subiu fortemente. Ou seja, nós não só temos mais pobres como os nossos pobres estão em pior situação, estão mais pobres. As políticas implementadas para responder à crise, em vez de tentar atenuar a situação dos mais pobres, acabaram por reforçar as suas condições de precariedade”, afirmou à rádio Renascença.

O investigador, ao analisar a evolução dos rendimentos familiares de 2009 a 2013, constatou que “os rendimentos familiares de praticamente todos os grupos sociais regrediram, em média, 7%”. E que “os rendimentos dos indivíduos mais ricos da sociedade – os 10% mais ricos – diminuíram cerca de 8% e os rendimentos das famílias mais pobres diminuíram 25%”, alertou.

Um trabalho que se intensifica

Mas quem se encontra numa situação de total desamparo, por vezes, não espera e nem pede muito, apenas o suficiente, que lhes permita suportar mais uma noite de frio. A missão dos “Anjos da Noite” é, exatamente, esta, ou seja, todas as terças-feiras à noite, um grupo de voluntários desloca-se aos locais onde se encontram os mais sofridos e rejeitados da sociedade, nomeadamente, os sem-abrigo.

Café, chá, sopa, sandes, roupas e uma mensagem de conforto e ânimo, são distribuídos para que os visados tenham forças para se levantar e lutar pela vida. E, na última terça-feira, dia 20 de outubro, não foi diferente. Cerca de 50 voluntários das regiões de Pontinha, Póvoa de Stº Adrião e Amadora, realizaram uma ação social na Gare do Oriente, em Lisboa. Mais de 100 pessoas foram ajudadas.

De acordo com o Pastor Vítor Costa, um dos responsáveis pelo trabalho dos Anjos da Noite da Grande Lisboa, o trabalho realizado pelo grupo ainda é curto, mas faz diferença para aqueles que não têm nada. “É o mínimo que podemos fazer para amenizar tamanho sofrimento. Já que quem devia fazer não faz, que é o Governo, fazemos nós. Dar aos outros aquilo que recebemos, é uma forma de agradecer ao Autor da Vida. Ver no rosto das pessoas um sorriso e mostrar a elas que é possível mudar, é muito gratificante e motiva-nos ainda mais a prosseguir, e cada vez com mais força”.

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