Instituições pouco fazem pela inserção laboral

idoso_cdaUma grande percentagem dos sem-abrigo dizem que as instituições fazem muito pouco pela sua inserção laboral, factor que consideram essencial para sair das ruas.

Seja por falta de rendimentos para ter uma casa, ruturas familiares, desemprego ou perda de habitação, há cada vez mais pessoas que acabam nas ruas. Em Portugal, existem mais de cinco mil pessoas a viver nas ruas, mas os números não ilustram o que significa, efetivamente, ser um sem-abrigo. Um estudo a que a agência Lusa teve acesso, mostra que quase 40 por cento das pessoas em situação de sem-abrigo não acredita na ajuda das instituições e defende que estas pouco ou nada fazem pela sua inserção laboral. Dos 172 inquiridos, cerca de 25 por cento considerou que as instituições que prestam apoio nesta problemática não ajudam “nada” na inserção laboral e quase 15 por cento refere que as instituições ajudam “pouco”.

A percentagem aumenta quando se fala do trabalho para a reaproximação da família, com 50 por cento das pessoas em situação de sem-abrigo a referir que as estruturas existentes pouco ou nada fazem nesse sentido. No que diz respeito à garantia de alojamento, alimentação, vestuário e higiene pessoal, a grande maioria (80 por cento) dos participantes no inquérito considera que as instituições ajudam “muito” ou “bastante”. Aposta na reinserção
Quando se fala em sem-abrigo, o normal é pensar-se em ajudar com alimentos, roupas ou produtos de primeira necessidade. No entanto, é também fundamental ajudar estas pessoas a reerguer as suas vidas, conseguindo encontrar trabalho,sobretudo. É também isso que Joaquim Ferreira, coordenador do estudo, defende, sublinhando que o sistema está demasiado centrado na resposta às necessidades básicas.
“Tem de se passar de um regime que é demasiado assistencialista para um de capacitação das pessoas”, refere, acrescentando que se devem “definir e desenvolver planos quase individuais de reinserção das pessoas”, de forma a que estas possam assumir o controlo das suas vidas.

Trabalho é fundamental
“A falta de trabalho assume um papel central”, reforça Joaquim Ferreira, apontando este como um fator essencial para a entrada ou saída da situação de sem-abrigo. Ainda segundo o estudo, cerca de 70 por cento dos sem-abrigo considera que o trabalho “é muito importante para si e para as suas vidas”, e 83 por cento sente que se adapta facilmente a qualquer trabalho. Quase dois terços sentem-se capazes de lidar com as exigência de um posto de trabalho na atualidade. No entanto, 80 por cento dos inquiridos considera mais difícil conseguir arranjar trabalho por estar numa situação de sem-abrigo. Para Lara Figueiredo, também investigadora no projeto, a mudança, tem de passar “pela formação dos técnicos”, sublinhando ainda que as circunstâncias atuais “também não são favoráveis” à inserção laboral, para além das instituições não responderem a novas situações de sem-abrigo, como os jovens ou famílias que perderam o emprego e a habitação.

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