Novos espaços e projetos sociais mostram maior solidariedade

lisboa-solidariaResidências para sem-abrigo, supermercados sociais entre outras iniciativas em Lisboa, mostram uma cidade cada vez mais preocupada com a vertente social. Estarão os portugueses mais solidários?

A Junta de Freguesia de Arroios, em Lisboa, inaugurou uma residência destinada a acolher quatro sem-abrigo, cada um com o seu quarto, visando permitir a sua integração social e laboral, um projeto-piloto que a autarquia admite ver replicado noutras zonas da cidade.

“Temos muitos sem-abrigo na zona e estamos sempre a tentar fazer um trabalho de inclusão”, pelo que “decidimos criar o projeto, suportando a renda e a montagem da casa”, disse à agência Lusa a presidente da Junta de Arroios, Margarida Martins.

A “república para sem-abrigo”, assim designada pela autarca, destina-se a quatro sem-abrigo já referenciados pela equipa da Junta que trabalha com esta problemática.
Um dos quartos destina-se a pessoas em “situação de emergência” e haverá ainda espaços comuns como sala, cozinha, casa de banho e pátio exterior. Para Margarida Martins, este é um “número razoável” de moradores.

solidariedade-lisboa“Não podiam ser casas muito grandes [e com muita gente] para não criar situações de conflito”, justificou.

Quanto ao tempo limite de estadia, a responsável frisa que este “não será igual para todas as pessoas”, dependendo de cada situação, razão pela qual não é possível estabelecer prazos. A autarquia assegurará a renda mensal de 570 euros da residência, localizada junto à Praça do Chile.

A este valor somam-se ainda cerca de 2.000 euros que a Junta já investiu para equipar e mobilar a casa, e outros 2.000 euros suportados por uma empresa da zona que se associou à iniciativa. Os utentes terão de pagar as despesas da água, luz, televisão, telefone e limpeza, que serão divididas por todos.

Ajuda e integração

O trabalho da Associação Coração Universal existe há vários anos e começou pouco tempo depois de o Centro de Ajuda se implantar em Portugal.
Muitas vezes, mais do que doar alimentos ou peças de roupa, é fundamental ajudar as pessoas a integrarem-se na sociedade para que se tornem cada vez mais autónomas e se possam ajudar a si mesmas.

 

Este é o lema da Associação

Coração Universal que, em parceria com o Centro de Ajuda, auxilia milhares de pessoas um pouco por todo o país.
Os mais carenciados não são só as pessoas que não têm comida. Nesta associação, a ajuda existe de uma forma ampla, através de bens alimentares, vestuário e calçado sim, mas também pela inclusão das pessoas na sociedade através de várias ações.

Cidalia-coracaouniversal“Uma dessas ações, que estamos agora a colocar em prática, é o projeto de alfabetização. Existem várias pessoas que hoje não conseguem emprego simplesmente porque não sabem ler ou escrever. Não queremos apenas dar algo para hoje que sabemos que amanhã já não existe, queremos sim formar também as pessoas para que elas possam ser a sua própria ajuda”, explica Cidália Ribeiro, responsável pela Associação Coração Universal.

Centro de Ajuda é um parceiro fundamental

Espaços físicos, voluntários e ajuda na divulgação são algumas das coisas que só são possíveis graças ao apoio do Centro de Ajuda, que tem uma vertente de apoio social cada vez mais vincada.
“São várias centenas de voluntários que nos ajudam e apoiam em várias ações, tanto em Portugal Continental como nas ilhas. Sem os voluntários do Centro de Ajuda nada do que se tem feito teria tanto alcance. Além disso, cedem-nos também espaços um pouco por todo o país para que possamos levar a cabo as nossas atividades”, sublinha Cidália.

Dar para doar

São imensos os pedidos de ajuda que chegam até à Associação Coração Universal, e alguns necessitam de critérios de seleção mais rígidos. “Enquanto que na distribuição de cestas básicas não há um critério muito rigoroso porque as pessoas têm, efetivamente fome, em casos de pedidos de eletrodomésticos ou mobiliário, por exemplo, tem que haver uma análise mais profunda e cada pedido é visto caso a caso”, refere a responsável.

Em todo o país, são já distribuídas milhares de cestas básicas mensalmente e o objetivo é aumentar cada vez mais a ajuda prestada.
“Dependemos daquilo que nos doam também e por isso existe uma grande preocupação em sensibilizar as pessoas para que doem, para então sim podermos ajudar”, reforça.
Além da ajuda física, o que diferencia esta associação de outras, é a componente espiritual, outra das coisas que só é possível graças ao apoio dos voluntários do Centro
de Ajuda.

“As pessoas não vivem apenas do que comem ou vestem, mas são seres, e como tal também precisam de um apoio espiritual que lhes dá força interior. Isso é o que nos diferencia de outras associações que ajudam os mais carenciados”, conclui Cidália.

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